Lula vai à ONU defender multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta semana, em Nova York, da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde fará, na terça-feira (22), o tradicional discurso de abertura do Debate Geral. Entre os principais temas previstos estão a defesa do multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança e a busca de soluções negociadas para os conflitos internacionais. Lula chegou aos Estados Unidos após embarcar no domingo (20). A programação presidencial prevê encontros bilaterais nesta segunda-feira (21), antes do discurso na sede das Nações Unidas. A participação ocorre em um momento de intensos conflitos e disputas geopolíticas. A expectativa é de que o presidente apresente a posição brasileira sobre alguns dos principais desafios da agenda internacional e reforce a defesa de uma atuação mais efetiva dos organismos multilaterais.
MULTILATERALISMO DEVE ESTAR NO CENTRO DO DISCURSO DE LULA
A defesa do multilateralismo deverá ocupar espaço importante no pronunciamento brasileiro. A posição parte do entendimento de que negociações entre países e instituições internacionais devem ter papel central na busca de soluções para crises e conflitos. Lula também deverá abordar a importância do respeito ao direito internacional humanitário, a não interferência nos assuntos internos de outros países e o uso da negociação como instrumento para resolver disputas. Esses princípios fazem parte de uma linha defendida pela diplomacia brasileira em fóruns internacionais e devem aparecer associados à necessidade de fortalecer instituições capazes de mediar conflitos e construir soluções coletivas.
BRASIL VOLTA A DEFENDER REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA
Outro ponto previsto é a reforma das próprias Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança. A mudança na composição e no funcionamento do órgão é uma reivindicação histórica da diplomacia brasileira. O Brasil argumenta que a atual estrutura precisa refletir de maneira mais adequada a realidade geopolítica contemporânea e ampliar a representação dos países em desenvolvimento. A posição ganhou novo respaldo poucos dias antes da Assembleia Geral. Na declaração da 18ª Cúpula do Brics, os países do bloco voltaram a defender uma reforma abrangente da ONU, incluindo o Conselho de Segurança. China e Rússia também reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia por uma participação mais relevante nas Nações Unidas e em um eventual Conselho reformado. Atualmente, o Conselho de Segurança tem cinco integrantes permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — que possuem poder de veto, além dos membros não permanentes eleitos por períodos determinados.
LULA TERÁ ENCONTRO COM ANTÓNIO GUTERRES
Antes de discursar na Assembleia Geral, Lula deverá se reunir, na manhã de terça-feira, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que está na etapa final de seu mandato à frente da organização. A agenda presidencial também inclui encontros com outras autoridades durante a passagem por Nova York. Entre os compromissos previstos está um encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, do Partido Democrata. Ele assumiu o comando de Nova York no início de 2026. Depois do discurso na Assembleia Geral, Lula deverá retornar ao Brasil ainda na terça-feira.
LULA PARTICIPA PELA 11ª VEZ DA ASSEMBLEIA GERAL COMO PRESIDENTE
A viagem marca a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas na condição de presidente da República. Ao longo de seus três mandatos, 2010 foi o único ano em que ele não compareceu ao encontro anual da organização. O Brasil tradicionalmente ocupa a primeira posição entre os países que discursam na abertura do Debate Geral. Na sequência, está prevista a manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
NÃO HÁ ENCONTRO CONFIRMADO ENTRE LULA E TRUMP
Apesar da proximidade dos discursos, não existe até o momento confirmação de uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante a passagem por Nova York. Como o presidente norte-americano deverá falar logo depois do brasileiro, existe a possibilidade de que os dois se encontrem nos bastidores da Assembleia, mas nenhum compromisso oficial entre os presidentes foi anunciado. Em 2025, Lula e Trump tiveram um breve contato justamente durante a Assembleia Geral, quando o brasileiro deixava o palco e o norte-americano se preparava para discursar. Desde então, os dois presidentes voltaram a se encontrar. Ainda assim, para a Assembleia deste ano, o Itamaraty não anunciou uma reunião bilateral.
BRASIL TERÁ AGENDA AMPLA DURANTE A SEMANA DA ONU
A participação brasileira nas atividades em Nova York continuará depois do retorno de Lula. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá na cidade durante a semana e deverá participar de reuniões de diferentes grupos e fóruns internacionais, incluindo Brics, G77, G4, IBAS, L69 e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Também estão previstas agendas da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília. Na quarta-feira (23), Mauro Vieira presidirá uma reunião ministerial da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a presidência brasileira do G20. No dia seguinte, será a vez da reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), atualmente presidida pelo Brasil.
FOME, DESIGUALDADE E PALESTINA ESTÃO ENTRE OS TEMAS
A delegação brasileira também participará de discussões relacionadas à situação da Palestina e à solução de dois Estados, ao combate à desigualdade, ao direito internacional humanitário e à consolidação da paz. A agenda inclui ainda atividades ligadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participa das atividades em Nova York entre os dias 21 e 23. Ele é copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Também estão previstas participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Com uma agenda que combina conflitos internacionais, reforma da governança global, combate à fome e fortalecimento das instituições multilaterais, a Assembleia Geral será mais uma oportunidade para o Brasil apresentar suas posições sobre temas que hoje estão no centro das disputas e negociações internacionais.
Com informações de Agência Brasil