Desemprego no Brasil atinge menor nível da série histórica, mas mercado de trabalho ainda enfrenta desigualdades

Por Conecta Info
0 comments

desemprego no Brasil atingiu um dos menores níveis da história recente, consolidando a recuperação observada desde o fim da pandemia de Covid-19. Os indicadores mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a taxa de desocupação caiu para 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho de 2026, o equivalente a aproximadamente 5,86 milhões de brasileiros sem trabalho. Ao mesmo tempo, a população ocupada ultrapassou 103 milhões de pessoas, estabelecendo um novo recorde da série histórica.

Embora os números indiquem um mercado de trabalho mais aquecido, especialistas alertam que a taxa oficial de desemprego representa apenas uma parte da realidade. Outros indicadores, como a informalidade, a subutilização da força de trabalho, a participação da população economicamente ativa e as diferenças entre regiões e grupos sociais, revelam um cenário mais complexo do que a simples redução da desocupação.

Nesse contexto, Santa Catarina volta a se destacar nacionalmente ao registrar o menor índice de desemprego entre todas as unidades da Federação, reforçando sua posição como um dos estados com mercado de trabalho mais dinâmico do país.

DESEMPREGO CAI AO MENOR PATAMAR DA SÉRIE RECENTE

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, a taxa de desocupação recuou de 6,1% no primeiro trimestre para 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, permanecendo abaixo dos 5,8% registrados no mesmo período de 2025.

Os principais indicadores do mercado de trabalho mostram a dimensão dessa recuperação:

  • 5,86 milhões de pessoas desocupadas;
  • 103,06 milhões de pessoas ocupadas;
  • 108,9 milhões de integrantes da força de trabalho;
  • 62,1% de taxa de participação;
  • 58,8% de nível de ocupação;
  • rendimento médio real de R$ 3.738;
  • massa de rendimentos de aproximadamente R$ 380,3 bilhões.

O crescimento da ocupação veio acompanhado da recuperação da renda do trabalho, indicando um mercado mais robusto do que aquele observado nos anos imediatamente posteriores à pandemia.

No entanto, a própria metodologia da PNAD Contínua mostra que a taxa oficial considera apenas as pessoas que estavam sem trabalho, procuraram emprego nos 30 dias anteriores e estavam disponíveis para assumir uma vaga. Quem desistiu temporariamente de procurar trabalho ou permanece fora da força de trabalho não integra esse indicador.

RECUPERAÇÃO COMEÇOU ANTES DA PANDEMIA E GANHOU FORÇA A PARTIR DE 2022

A evolução do desemprego nos últimos anos demonstra que o mercado de trabalho brasileiro passou por diferentes ciclos econômicos.

Segundo a Retrospectiva da PNAD Contínua, a taxa anual de desemprego passou de 8,9% em 2015 para 12,6% em 2017, refletindo os efeitos da recessão econômica iniciada em meados da década passada.

Com a chegada da pandemia, o cenário voltou a se deteriorar.

Em 2021, a taxa anual atingiu 14,0%, o maior nível de toda a série histórica. Além da perda de milhões de postos de trabalho, houve forte redução da participação da população no mercado, consequência das restrições sanitárias e da dificuldade de procurar emprego durante aquele período.

A partir de 2022 iniciou-se uma recuperação acelerada:

  • 2022: 9,6%;
  • 2023: 7,7%;
  • 2024: 6,6%;
  • 2025: 5,6%;
  • abril a junho de 2026: 5,4%.

Além da redução da desocupação, o nível de ocupação voltou a superar os índices observados antes da pandemia, enquanto o rendimento médio recuperou parte das perdas provocadas pela inflação e pela crise sanitária.

SANTA CATARINA LIDERA O RANKING NACIONAL DE MENOR DESEMPREGO

Entre todos os estados brasileiros, Santa Catarina apresentou o melhor desempenho.

Segundo os indicadores estaduais da PNAD Contínua, referentes ao primeiro trimestre de 2026, o estado registrou taxa de desocupação de apenas 2,7%, praticamente metade da média nacional observada no mesmo período.

Na sequência aparecem:

  • Mato Grosso — 3,1%;
  • Espírito Santo — 3,2%;
  • Paraná — 3,5%;
  • Rondônia — 3,7%;
  • Mato Grosso do Sul — 3,8%.

Na outra extremidade do ranking estão:

  • Amapá — 10,0%;
  • Bahia — 9,2%;
  • Alagoas — 9,2%;
  • Pernambuco — 9,2%;
  • Piauí — 8,9%.

O desempenho catarinense também aparece quando se observa a taxa composta de subutilização da força de trabalho, indicador que considera não apenas os desempregados, mas também pessoas subocupadas e trabalhadores que gostariam de trabalhar, mas desistiram temporariamente de procurar vaga.

Nesse indicador, Santa Catarina também ocupa a primeira colocação nacional, com 4,7%, enquanto o Piauí registra 30,4%, evidenciando a grande heterogeneidade do mercado de trabalho brasileiro.

DESIGUALDADES CONTINUAM MARCANDO O MERCADO DE TRABALHO

Apesar da melhora dos indicadores nacionais, os dados detalhados da PNAD Contínua mostram que o desemprego continua distribuído de forma desigual entre diferentes grupos da população.

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação foi de:

  • 7,3% entre as mulheres;
  • 5,1% entre os homens;
  • 7,6% entre pessoas pretas;
  • 6,8% entre pessoas pardas;
  • 4,9% entre pessoas brancas.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a situação permanece ainda mais delicada. A taxa de desemprego alcançou 13,8%, mais que o dobro da média nacional.

A escolaridade também continua sendo um fator determinante para a inserção profissional. Pessoas com ensino médio incompleto apresentaram taxa de desocupação de 10,8%, enquanto entre aqueles com ensino superior completo o índice caiu para apenas 3,7%.

Esses números mostram que, embora o Brasil tenha reduzido significativamente o desemprego nos últimos anos, a recuperação não ocorreu de maneira uniforme. Mulheres, jovens, pessoas negras e trabalhadores com menor escolaridade continuam enfrentando maiores dificuldades para acessar oportunidades no mercado de trabalho.

INFORMALIDADE CONTINUA SENDO UM DOS PRINCIPAIS DESAFIOS

A queda do desemprego não significa, necessariamente, que o mercado de trabalho brasileiro tenha superado seus principais desafios estruturais. Um dos mais relevantes continua sendo a informalidade.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aproximadamente 37,3% da população ocupada trabalhava na informalidade no primeiro trimestre de 2026, um dos menores índices da série recente, mas ainda equivalente a quase quatro em cada dez trabalhadores brasileiros.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), mostram que, no trimestre encerrado em junho de 2026, havia 26,09 milhões de trabalhadores por conta própria, dos quais 18,85 milhões não possuíam Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Além disso, o país registrava 13,57 milhões de empregados do setor privado sem carteira assinada e 4,13 milhões de trabalhadores domésticos sem registro formal.

Embora a informalidade tenha diminuído nos últimos anos em razão da expansão do emprego com carteira assinada, ela continua representando uma parcela significativa da força de trabalho brasileira, refletindo desafios relacionados à produtividade, proteção social e acesso aos direitos trabalhistas.

SUBUTILIZAÇÃO REVELA QUE O MERCADO AINDA TEM MÃO DE OBRA OCIOSA

Especialistas recomendam que a análise do mercado de trabalho vá além da taxa oficial de desemprego.

Por isso, um dos indicadores mais relevantes produzidos pela PNAD Contínua é a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que considera não apenas os desempregados, mas também pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas disponíveis para trabalhar, mas que deixaram de procurar emprego.

No trimestre encerrado em junho de 2026, essa taxa permaneceu em 12,9%, reunindo aproximadamente 14,66 milhões de brasileiros em situação de subutilização.

Desse total faziam parte:

  • 5,86 milhões de desocupados;
  • 4,08 milhões de subocupados por insuficiência de horas;
  • 4,72 milhões de pessoas pertencentes à força de trabalho potencial;
  • entre elas, aproximadamente 2,29 milhões de desalentados, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma vaga.

O indicador oferece uma visão mais ampla sobre o aproveitamento da mão de obra no país e ajuda a compreender por que o mercado de trabalho ainda enfrenta desafios importantes, mesmo diante da queda do desemprego.

PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO NO MERCADO AINDA ESTÁ ABAIXO DO PERÍODO PRÉ-PANDEMIA

Outro aspecto apontado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é que a taxa de participação — indicador que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que efetivamente integram a força de trabalho — permanece abaixo da observada antes da pandemia.

No trimestre encerrado em junho de 2026, ela ficou em 62,1%, enquanto a média registrada nos dois anos anteriores à crise sanitária era de aproximadamente 63,2%.

Em estudo recente, o Ipea estimou que, caso a participação da população tivesse permanecido no mesmo patamar do período pré-pandemia, a taxa de desemprego seria superior à atualmente observada.

Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento estão:

  • o envelhecimento da população;
  • a desaceleração do crescimento demográfico;
  • mudanças no comportamento dos jovens em relação ao ingresso no mercado de trabalho;
  • o aumento do número de pessoas que permanecem fora da força de trabalho por aposentadoria, estudos ou outras condições pessoais.

Esses fatores mostram que a redução do desemprego resulta de uma combinação entre crescimento da ocupação e mudanças demográficas, e não exclusivamente da criação de novos postos de trabalho.

DIFERENTES BASES DE DADOS EXPLICAM DIFERENTES INDICADORES

Embora o desemprego seja normalmente associado aos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), outras bases oficiais também são utilizadas para acompanhar o mercado de trabalho brasileiro. O Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, registra mensalmente as admissões e os desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, permitindo acompanhar a geração de empregos formais. Já a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) reúne o estoque de vínculos formais existentes no país e fornece informações detalhadas sobre remuneração, ocupações e setores econômicos. Cada uma dessas bases possui metodologia própria e objetivos diferentes.

Enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mede pessoas ocupadas, desempregadas, trabalhadores informais e pessoas que atuam por conta própria, o Novo Caged acompanha exclusivamente os vínculos formais abrangidos pelo sistema de registros administrativos do trabalho. Por isso, os números dessas bases não devem ser comparados diretamente sem considerar suas diferenças metodológicas.

POLÍTICAS PÚBLICAS BUSCAM REDUZIR O DESEMPREGO

O sistema brasileiro de proteção ao trabalhador desempregado está estruturado principalmente pela Lei nº 7.998/1990, que regulamenta o seguro-desemprego, o abono salarial e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Além disso, o governo federal mantém programas de intermediação de mão de obra por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), bem como iniciativas voltadas à qualificação profissional e à inserção de jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.

Especialistas ressaltam, entretanto, que políticas públicas dessa natureza ajudam a facilitar o acesso às vagas, mas não são suficientes, isoladamente, para explicar as oscilações da taxa nacional de desemprego, que depende também do ritmo da atividade econômica, dos investimentos, da produtividade e das condições do mercado internacional.

CENÁRIO É FAVORÁVEL, MAS AINDA EXIGE ATENÇÃO

Os indicadores mais recentes mostram que o Brasil vive um momento positivo sob a perspectiva da geração de empregos, com o menor nível de desemprego da série histórica recente, crescimento da ocupação e recuperação dos rendimentos.

Ao mesmo tempo, a análise conjunta da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), dos estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e das estatísticas administrativas do Ministério do Trabalho e Emprego evidencia que ainda persistem desafios relacionados à informalidade, à subutilização da mão de obra, às desigualdades de gênero, raça, idade e escolaridade e às diferenças entre as regiões do país.

Nesse cenário, Santa Catarina mantém posição de destaque ao registrar o menor índice de desemprego e a menor taxa de subutilização da força de trabalho entre todas as unidades da Federação. O desempenho reforça o protagonismo do estado no mercado de trabalho brasileiro, mas também evidencia as disparidades existentes entre diferentes regiões do país, mostrando que a recuperação do emprego ocorreu de forma desigual e continua exigindo políticas capazes de ampliar oportunidades e reduzir assimetrias estruturais.

You may also like

Sobre o Conecta Info

Com uma abordagem inovadora, progressista, empreendedora e humanista, o Portal Conecta Info oferece notícias e informações de qualidade. 

© Copyright 2026, Portal Conecta Info por Criativa Catarina